segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Retorno às enseadas da lua - cena final

Contudo eu estando seguro na cidade - não me fariam mal ali -, somente no deserto a morte poderia se aproximar como um escorpião com o seu ferrão. Se alguém quisesse atirar em mim, poderia fazê-lo aqui. Ninguém atirou, porém, e segui caminhando, e achei uma cabine no acostamento de uma estrada vazia, uma cabine telefônica com o disco do aparelho enferrujado. Entrei nela, disquei e pedi para falar com Cherry. E, ao luar, uma voz me respondeu, uma voz adorável, e disse:

-Ora, alô benzinho, pensei que não iria me ligar nunca. Está tudo legal agora, e as garotas estão ótimas. Marilyn me pediu para dizer olá. Nos damos bem, o que é estranho, entende, porque as garotas costumam se estranhar. Mas tchau-tchau, lindinho, e pode ficar com os dados de graça, a lua saiu e ela é uma mãe pra mim.

Desliguei e voltei à cidade jóia, e pensei que antes de deixar os arranhas-céus talvez pudesse ligar para ela mais uma vez.Pela manhã, eu praticamente recuperara minha sanidade, arrumei as malas do carro e comecei a longa viagem para Guatemala e Iucatã.

Princetown,
Nova York,
Setembro de 1963- Outubro de 1964


(Um sonho americano, Norman Mailer)

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